Depois da geração à rasca vem inevitavelmente o governo (leia-se Sócrates) à rasca. No fundo, continuamos todos à rasca. Todos os que contribuíram para a falência do país continuam lá, ou vão continuar. Que nos resta afinal?

Será que só somos necessários para apertar o cinto? Para pagarmos com sangue, suor e muitas lágrimas o que outros fizeram?

Não, eu digo NÃO.  Não contribuí para este estado de coisas, não fiz NADA para criar a situação vigente, limitei-me a trabalhar e viver o dia-a-dia, com seriedade e sacrifício, contribuindo modestamente para o desenvolvimento do meu país.  Não tenho culpa das más políticas seguidas, não contribuí para o desmembramento de empresas vitais da nossa economia (pescas, agricultura, minas, indústria naval, etc.), sou, tal como a maioria dos cidadãos, absolutamente alheio a manobras mafiosas e  corruptas dos governantes e seus aliados capitalistas, não sou especulador bolsista, ganho o meu mísero salário com o suor do rosto e muitos calos nas mãos, sou, no fundo, igual a tantos outros.

Os contribuintes para esta situação conhecem-se e estão referenciados, então que se julguem em sede própria, que se faça justiça, que se enumerem publicamente as inúmeras vigarices por eles perpetradas e, se for caso disso, que se detenham e encarcerem.  Não pode um Povo inteiro pagar pelos crimes de meia-dúzia.

Sei (sabemos) que neste país nada disso vai acontecer, a justiça só funciona para a velhinha que rouba a lata de atum no supermercado,  os crimes contra o Povo nunca serão julgados e seus mentores condenados.

Aproximam-se eleições, é inevitável, Sócrates já não tem condições para continuar, as mentiras foram muitas e graves, não soube ou não quis atacar a “crise”, e o que fez fê-lo pelo elo mais fraco, ou seja, aumentar impostos, congelar salários e pensões de reforma (que afecta sempre os mais desfavorecidos), não o fez pelo lado dos mais favorecidos, ou seja, a banca, os especuladores bolsistas, as grandes fortunas e um efectivo ataque à fuga ao fisco, que deveria começar pelo fim unilateral da zona franca da Madeira e impedir ou controlar efectivamente a fuga de capital para paraísos-fiscais.  Depois o flagelo do desemprego, com culpas e bastantes para o governo, pois muitas das falências são fraudulentas e demonstra o total desprezo do sistema actual pela pessoa, pelo trabalhador/a, onde o dinheiro está acima dignidade humana.

Tudo o indica, será o PSD a formar novo governo, será mesmo?  Sabemos que Cavaco não morre de amores por Passos Coelho, este, mesmo no interior do seu partido tem muitas vozes críticas, vozes de gente “influente”, apesar de tudo à que contar com Sócrates. Vários cenários de perspectivam, até o de Sócrates ganhar novamente. Uma coisa é certa,  seja qual for o desfecho, será sempre o POVO a arcar com as despesas, com os sacrifícios.