E Depois do Adeus

Depois da geração à rasca vem inevitavelmente o governo (leia-se Sócrates) à rasca. No fundo, continuamos todos à rasca. Todos os que contribuíram para a falência do país continuam lá, ou vão continuar. Que nos resta afinal?

Será que só somos necessários para apertar o cinto? Para pagarmos com sangue, suor e muitas lágrimas o que outros fizeram?

Não, eu digo NÃO.  Não contribuí para este estado de coisas, não fiz NADA para criar a situação vigente, limitei-me a trabalhar e viver o dia-a-dia, com seriedade e sacrifício, contribuindo modestamente para o desenvolvimento do meu país.  Não tenho culpa das más políticas seguidas, não contribuí para o desmembramento de empresas vitais da nossa economia (pescas, agricultura, minas, indústria naval, etc.), sou, tal como a maioria dos cidadãos, absolutamente alheio a manobras mafiosas e  corruptas dos governantes e seus aliados capitalistas, não sou especulador bolsista, ganho o meu mísero salário com o suor do rosto e muitos calos nas mãos, sou, no fundo, igual a tantos outros.

Os contribuintes para esta situação conhecem-se e estão referenciados, então que se julguem em sede própria, que se faça justiça, que se enumerem publicamente as inúmeras vigarices por eles perpetradas e, se for caso disso, que se detenham e encarcerem.  Não pode um Povo inteiro pagar pelos crimes de meia-dúzia.

Sei (sabemos) que neste país nada disso vai acontecer, a justiça só funciona para a velhinha que rouba a lata de atum no supermercado,  os crimes contra o Povo nunca serão julgados e seus mentores condenados.

Aproximam-se eleições, é inevitável, Sócrates já não tem condições para continuar, as mentiras foram muitas e graves, não soube ou não quis atacar a “crise”, e o que fez fê-lo pelo elo mais fraco, ou seja, aumentar impostos, congelar salários e pensões de reforma (que afecta sempre os mais desfavorecidos), não o fez pelo lado dos mais favorecidos, ou seja, a banca, os especuladores bolsistas, as grandes fortunas e um efectivo ataque à fuga ao fisco, que deveria começar pelo fim unilateral da zona franca da Madeira e impedir ou controlar efectivamente a fuga de capital para paraísos-fiscais.  Depois o flagelo do desemprego, com culpas e bastantes para o governo, pois muitas das falências são fraudulentas e demonstra o total desprezo do sistema actual pela pessoa, pelo trabalhador/a, onde o dinheiro está acima dignidade humana.

Tudo o indica, será o PSD a formar novo governo, será mesmo?  Sabemos que Cavaco não morre de amores por Passos Coelho, este, mesmo no interior do seu partido tem muitas vozes críticas, vozes de gente “influente”, apesar de tudo à que contar com Sócrates. Vários cenários de perspectivam, até o de Sócrates ganhar novamente. Uma coisa é certa,  seja qual for o desfecho, será sempre o POVO a arcar com as despesas, com os sacrifícios.

Os culpados existem, eles andam aí

A dívida pública de Portugal atingirá em 2012, 90,7% do PIB, isto nas previsões mais optimistas. Ou seja, a quase  totalidade do que é produzido será para pagar os nossos calotes. Entretanto todos os dias são necessários 30 milhões de Euros para amortizar essa mesma dívida. O número pago por nós anualmente é astronómico, qualquer coisa como 10.950.000.000 de Euros. Não sou economista, mas estes números assustam-me e devem merecer de todos não reflexão mas MEDO.

Os responsáveis pela situação, estão ai, andam por ai, fazem-de-nos crer que está tudo controlado, para não nos preocuparmos, “eles” sabem o que estão a fazer.

Mas todos sabemos que não é assim, basta verificar os aumentos que se avizinham, o aperto de cinto que é (sempre foi) só para os mesmos de sempre, ou seja, NÓS.

Enquanto o governo se prepara para cortar na saúde e na educação, bases fundamentais de desenvolvimento de um Povo,  para não falar no aumento de impostos directos e indirectos que vai afectar como sempre o trabalhador,  o desempregado, o precário, o pensionista e o reformado pobre (também há reformados ricos), o grande capital começando na banca e seguradoras, terminando nos exploradores, vai ficando cada vez com maior magem de manobra para fazer o que quer, despedindo a seu belo prazer, fazendo gato-sapato dos governantes, ameaçando-os com mais encerramentos de unidades industriais ou comerciais.

O sistema actual entrou em falência, já não serve, os modelos de actuação esgotaram-se, há que encontrar alternativas, elas existem, basta o Povo manter-se firme e lutar sempre pelas suas ideias e ideais, manter-se organizado e vigilante.

TEMOS DE DAR A VOLTA A ISTO

Se alguém ainda tinha ilusões, estas foram totalmente dissipadas ontem. Sócrates e Passos Coelho, delinearam uma estratégia comum para aumentar impostos (coisa que ambos juraram não mexer).  A UE, puxando valentemente as orelhas ao 1º ministro, obrigou-o a tomar medidas impopulares, este, vendo-se com as calças na mão, só teve como solução  ir ao beija-mão a Passos Coelho. Sem que Cavaco também não estivesse metido na “coisa”.

O que me deixa perplexo é a falta de carácter e honestidade desta classe política, levam “isto” (leia-se país) como se de uma quinta se tratasse, como se os “empregados” da mesma, fossem ignorantes, como só servissem para vergar a mola e pagar impostos. E a nossa dignidade como pessoas?  E o nosso direito à indignação?

Pinheiro de Azevedo disse um dia que o povo é sereno. Com isto quis dizer que somos um bando de cordeiros e não fazemos mal a ninguém, que podemos ser manobrados como uma qualquer marioneta, bastando para tal, darem-nos futebol, fátima e fado em doses mais ou menos regulares.

Estou em mim, a continuar assim, nada me admirava que um dia, não muito distante, iremos acordar totalmente encharcados.

Os Mansos

A vitória do Benfica e a visita do Papa, veio na melhor altura para o governo, dando-lhe espaço de manobra para tornar publicas as medidas de austeridade.  O inevitável agravamento fiscal que se avizinha, vai definitivamente colocar Sócrates entre a espada e a parede, que é se já o não estava à muito.  Mais uma vez o primeiro ministro mentiu, ao afirmar que não haveria aumento de impostos em 2010, sabendo de antemão que todos os indicadores vislumbravam o contrário. A culminar esta desorientação, a não construção da terceira travessia do Tejo e o novo aeroporto, foi a machadada final. Sócrates está sem projecto, sem chama, sem rumo, o país está à deriva, será talvez o único do mundo onde é a oposição quem determina a agenda governativa. Enquanto isto, Cavaco limita-se a gerir a sua pré-campanha sem se querer comprometer.  A restante oposição (PCP e BE) grita, gesticula, mas mantêm-se impávida e serena, na procura do melhor posicionamento na linha de partida para as próximas eleições.  Entretanto, o país (como agora se diz) ,  continua a “fabricar” desempregados e precários  todos os dias, mas como somos uns tipos porreiros e não nos queremos comprometer, o sistema vai-nos subjugando e explorando.

E Agora?

Vivemos tempos conturbados, de desalinho político, económico e social. A classe política não teve capacidade para antever esta catástrofe que, como sempre, recaí nos mais fracos, ou seja, quem trabalha nomeadamente por contra de outrem.

Para alguns, a adesão à UE era a salvação, era a forma de travar o “comunismo” e o “extremismo”, era a maneira (pensavam eles) de ficar de barriga ao sol, sem nada fazer, que “eles” resolveriam os nossos problemas.

Como se veio a verificar nada disso aconteceu, a UE foi óptima para os países mais desenvolvidos onde o quero-posso-e-mando é uma constante e onde os países periféricos são umas marionetas, sem voz nem razão.
Portugal, como o mais periférico e pobre de todos, sofreu, sofre e sofrerá as inevitáveis consequências. Deixamos de ter voz activa no que é nosso, o tecido produtivo desapareceu, as pescas, a agricultura, a indústria estão a níveis do início do século XX, a fome grassa, o desemprego avança e essa autêntica chaga dos nossos dias, a precariedade (eu chamo-lhe a nova escravatura) atinge números assustadores.

Que fazer?

Em minha opinião a solução passa por:
Governo Popular de unidade nacional
Saída imediata da UE e NATO
Reactivar os sectores produtivos (pescas, agricultura e indústria)
Nacionalização te todo o sector estratégico (energia, banca, seguros e tele-comunicações)

Estas seriam quanto a mim as primeiras medidas, seguir-se-iam outras.

O capitalismo não é solução, a submissão ao capitalista muito menos, necessitamos que o Povo actue e chame a si a responsabilidade.

BERMEJA A ILHA DESAPARECIDA

Bermeja, ilha mexicana com cerca de 80 kilómetros quadrados situada na península do Iucatão desapareceu.

A zona onde a mesma se situa conhecido por Hoyos de Dona é rica em petróleo onde segundo um estudo da Universidade Nacional Autónoma do México haverá cerca de 25,5 mil milhões de barris prontos a serem extraídos.

Mas há mais.

No ano 2000 os USA’s e o México assinaram um pacto em que durante dez anos ninguém explorava o subsolo da área. O prazo termina em 2010.

E mais.

Com o desaparecimento da ilha a fronteira marítima do México recuaria e os USA’s ganhariam o direito de explorar todo o petróleo existente na zona referida.

E muito mais.

O congressista mexicano Elias Cardenas afirmou que nada de origem natural foi o motivo para o desaparecimento, tal deveu-se a “mão” humana, ou seja, os USA’s vs CIA, teriam feito explodir a mesma, ficando o México sem direito aquela espaço, visto que não existe de facto.

Bastante mais.

Em 1997, José Angel Conchello, presidente da Comissão de Relações Externas do Senado mexicano, publicou um artigo Entregar o petróleo”, no qual se referia à ilha e acusava o governo mexicano de ceder aos USA’s a entrega a este a exploração do “ouro negro”. Morreu meses depois num acidente de automóvel em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Em que mundo vivemos, que gente é esta.    

SOCIEDADE LIBERTÁRIA (I)

Somos inconformados por não aceitarmos o que esta acontecendo com o nosso planeta, com a nossa gente. Estamos fartos de mentiras e promessas que nos fazem escravos submissos ao sistema, que deixam de lutar e aceitam a miséria como dádiva divina. Não! Não somos escravos, muito menos aceitaremos a miséria, já que produzimos riquezas e somos roubados. O salário é a confissão do roubo. Chega de salários, queremos a distribuição da riqueza. Somos inconformados porque vemos os nossos irmãos morrerem de fome, frio e doenças num mundo de prosperidade. Não acreditamos que cada um seja responsável isolado de sua sorte. Existe uma história individual influenciada pela história colectiva e vice-versa. Chega de mentiras! Uma das mais importantes contribuições de Bakunin para o mundo foi sua rebeldia e nada mais emblemático que “o ato destrutivo também é um ato construtivo”. Para muitos a destruição é uma acção muito simples e assustadora, mas para nós anarquistas, passa da simples apedrejamento destruidor para uma acção mais profunda de também substituir o alvo da destruição para algo mais significativo para nós, explorados e oprimidos. Uma construção do processo de destruição significa planeá-la de tal forma que não fique dúvidas sobre a acção. Para ilustrar, tenha em mente a destruição de um prédio para construção de uma nova obra (que não necessariamente um prédio). Todo o processo é pensado antes do acto, durante o acto e após o acto. E mesmo assim acontecem imprevistos onde a criatividade humana é desafiada a resolver. Pense no Estado como o prédio a destruir e use a criatividade para traze-lo abaixo, além de como desenvolver relações sociais colectivas descentralizadas, evitando criar burocracias e dissolvendo o poder central de um Estado por entre toda a sociedade, sem, no entanto criar espaços para opressão, evitando os modelos do comunismo-marxista, que não destroem o Estado, mas ao contrário, o fortalece em ditadura opressora entre iguais, o autoritarismo de classe! Avancemos na destruição do Estado, na construção de uma sociedade libertária, nada de transições perpetuas (para os que gostam de dialéctica), às barricadas, traga a marreta e flores A sociedade é um colectivo acima do Estado. O fim do Estado não é o fim da sociedade, mas a sua emancipação como organização. O gerenciamento e controle estatal estrangula a sociedade e escraviza os seus indivíduos. Estes procuram a liberdade e o respeito dos outros indivíduos que também precisam de liberdade e respeito que qualquer Estado não pode assegurar, porque se assegurar liberdade terá de deixar de existir uma vez que não pode deixar as pessoas livres. A liberdade é uma ameaça a qualquer Estado e como ameaça será jogada em armadilhas jurídicas onde ela possa existir como um pássaro na gaiola. Mas não adianta. A liberdade escapa e escapará sempre, ela existirá com a sociedade e não com o Estado. O Estado constrói prisões, cria paredes, cercas, armas e violência. Nunca respeitou os indivíduos e a sociedade da qual tira seu sustento. Combatamos o Estado e o Estado nos verá como uma ameaça no seu bolso e existência. Dane-se o Estado e viva a liberdade e o respeito entre indivíduos. A destruição do Estado é a construção de uma sociedade igualitária e livre, para todos, sem excluídos. Construamos pois a sociedade auto-gestionária, cooperativista, a sociedade de todos, da liberdade e da solidariedade, construamos uma sociedade sem amarras, sem chefes, sem autoritarismo, sem líderes, sem vanguardas, construamos uma nova sociedade, onde todos apoiam todos, onde todos seremos a razão da existência dessa sociedade, onde finalmente o Homem se sinta Livre.

Apenas o combate vale a pena

DECLARAÇÃO COMUNISTA ANARQUISTA POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO EUROPEU

Eleições europeias:

De 4 a 7 de Junho os votantes europeus são chamados às urnas para escolher quem os irá «representar» no Parlamento europeu. Enquanto comunistas anarquistas, não pensamos que as eleições possam trazer qualquer mudança real, sendo que preferimos a democracia directa à democracia representativa. Por outras palavras, preferimos que as decisões que afectam os trabalhadores sejam tomadas pelos próprios, colectivamente. O funcionamento e objectivos da União Europeia são opostos a este modelo de auto-decisão e portanto aos interesses dos trabalhadores e do povo. Os seus líderes desprezam tanto o povo que – embora perguntem a nossa opinião – a única resposta permitida é a que aceita a linha política da UE, definida previamente noutra instância. A atitude da UE face à rejeição por referendo do Tratado estabelecendo a Constituição para a Europa exemplifica este facto. Além disso, os reais líderes da UE (a Comissão Europeia, o presidente do Banco Central Europeu, etc) não estão sujeitos a qualquer controlo democrático e portanto estão ainda mais livres para defender esses interesses contra os interesses da classe trabalhadora. Isto pode ver-se com as políticas de descarada liberalização e privatização que têm sido aplicadas, na austeridade orçamental e monetária (política iniciada em Maastricht). No actual período de crise, tais políticas somente causam sofrimento às pessoas da classe trabalhadora. Não tem sido visível qualquer efeito prático no relaxamento do Pacto de Estabilidade, que impõe défices públicos muito baixos. Embora o Banco Central Europeu tenha aceite atenuar a política de austeridade monetária, fê-lo de uma maneira muito limitada, que apenas irá contribuir para o aprofundar da crise na Europa. A União Europeia é uma máquina de guerra contra os direitos sociais e os trabalhadores, em especial contra os migrantes: o «dumping» social, o corte nos «custos do trabalho», a caça aos imigrantes, os fechos de fronteiras, a cooperação entre polícias, etc. Portanto, a União Europeia não é uma instituição neutral cujas políticas precisam de ser «redesenhadas» – é a satisfação do poder capitalista, dedicado a servir os patrões e os banqueiros. A eleição de novos deputados não mudará, de modo nenhum, esta situação. Apenas as lutas sociais conjuntas de todos os trabalhadores por toda a Europa, num vasto movimento social, poderão parar estas políticas e encorajar o crescimento de uma força revolucionária contra o capitalismo e suas instituições, em direcção a outra sociedade. Uma sociedade baseada nos verdadeiros ideais internacionalistas da liberdade, igualdade e solidariedade.

Federazione dei Comunisti Anarchici (Itália)
Alternative Libertaire (França)
Workers Solidarity Movement (Irlanda)
Liberty and Solidarity (Reino Unido)

[tradução para português por Luta Social ]

BOA-HORA vs PIDE vs FASCISMO

  • 1931, o estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
  • 1932, Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
  • 1934, Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve de 18 de Janeiro; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada durante a repressão da greve de 18 de Janeiro; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
  • 1935, Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
  • 1936, Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
  • 1937, Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
  • 1938, António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;
  • 1939, Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
  • 1940, Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;
  • 1941, Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
  • 1942, Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
  • 1943, Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;
  • 1944, general José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.
  • 1945, Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;
  • 1946, Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;
  • 1947, José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;
  • 1948, António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;
  • 1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;
  • 1951, Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;
  • 1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;
  • 1957, Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;
  • 1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;
  • 1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;
  • 1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;
  • 1963, Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;
  • 1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;
  • 1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;
  • 1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;
  • 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
  • 1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
  • 1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na “fuga-libertação” de Alcoentre, em Junho de 1975;
  • 1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;
  • 1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.

A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão. Mas ainda podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico. Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos “Viriatos” na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos “Flechas”, etc.

OS CULPADOS

Sim meus amigos, não nos venham com desculpas de mau pagador, que foi a conjuntura internacional, o subprime, o Bush, a guerra no Iraque, a vendedora de castanhas, ou o raio que os parta, esta miséria de país chegou onde chegou, graças a políticas desastradas, impopulares, algumas de génese neo-fascista, arrogante e sempre feitas nas nossas costas.

 

Vamos chamar os bois pelos nomes e deixar-nos de ser cordeiros amestrados e/ou marionetas nas mãos desta gente.

 

Esta gente tem de ser culpabilizada e podem crer, não o vai ser nas urnas ou coisa que pareça, para se lutar objectivamente contra este tipo de polvo, tem de ser na rua, no bairro, na colectividade, no boicote, na intransigência, na revolta, na insubmissão, enfim na revolução popular.

 

Quem pensar o contrário está enganado, o sistema está totalmente minado pelos lobbies maçónicos, as várias igrejas, têm aqui também, papel importante, pois tudo controlam, os grandes grupos económicos compram o poder a seu belo prazer, basta vermos a quantidade de ex. ministros, autarcas e afins, ao deixarem a política têm tacho assegurado.

 

Quem pode lutar contra este autêntico polvo que nos corrói e destrói, levando-nos em muitos casos ao suicídio, sim, como podemos combater isto?

 

Com palavras? – Isso querem eles  

Com manifestações pacíficas? – Isso querem eles

Com palavras de ordem? – Isso querem eles

Com moções de censura na AR? – Isso querem eles

Com paninhos quentes? Isso querem eles

 

Então como?

 

Com acção concreta,

na rua, na fábrica, na escola, no nosso trabalho, na colectividade, na tertúlia, no nosso bairro, na nossa rua, no nosso prédio, etc..

 

Enquanto escrevia este post, (cerca de 10 minutos) ficaram desempregados no nosso país mais 10 (DEZ) trabalhadores.

 

Só em Janeiro/2009, o sistema enviou para a rua cerca de 2.000 trabalhadores, quem acode a esta gente, onde param os sindicatos, onde param os partidos, como é possível. Não meus amigos, não podemos ficar indifrentes, para essa gente (conheço bastantes) as palavras de circunstâcia não enchem barriga, o blá-blá costumeiro não apaga a mágua e o sofrimento de se estar desempregado, a angustia quando os filhos nos perguntam “então pai o que tens” e nós desatamos a chorar, sim a chorar. Camaradas e amigos estou farto, estou farto do sistema, do status-quo, do faz que faz, EU ESTOU FARTO….

 

continua….

 

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